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Especialistas alertam sobre impactos de construção de estrada em área de preservação ambiental e sugerem aproveitar rodovias já existentes


Pelo edital de licitação, o início do Arco Metropolitano Norte seria perto do Engenho Monjope, em Igarassu, passando pela Estrada da Pitanga e cortando a Estrada de Aldeia, em Camaragibe, até a BR-408, em São Lourenço da Mata. Esse trajeto passa por área da Mata Atlântica. As discussões do projeto da área de mata de Aldeia que pode ser atravessada por rodovia Com dois consórcios de empresas na disputa para realizar os projetos do Arco Metropolitano Norte, especialistas demostram preocupação com a possibilidade de a estrada passar por uma área da Mata Atlântica na Área de Preservação Ambiental (APA) Aldeia/Beberibe, no Grande Recife. Além de listar os impactos da obra para a natureza, eles sugerem aproveitar rodovias que já existem, como a PE-41 (veja vídeo acima). No projeto proposto pelo edital de licitação, o início do Arco Metropolitano Norte seria perto do Engenho Monjope, em Igarassu, passando pela Estrada da Pitanga e cortando a Estrada de Aldeia, em Camaragibe, até a BR-408, em São Lourenço da Mata. Especialistas ouvidos pela TV Globo disseram que o governo de Pernambuco pode evitar o corte da Mata Atlântica que ainda resta no estado. Segundo especialistas, o governo de Pernambuco pode evitar o corte da Mata Atlântica que ainda resta no estado Reprodução/TV Globo O arquiteto Cesar Barros Atikum e a doutora em gestão ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Soraya El Deyer, afirmaram que o mapa usado como referência no edital faz parte de um estudo da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem) feito na década de 1980. “É lastimável que o governo insista em um desenho que tem mais de 30 anos, que não tenha evoluído e não tenha tido ouvidos para a questão ambiental, a questão social e mesmo a questão econômica. Porque na hora que você pega uma área preservada e você fragmenta, isso tem rebatimento em praticamente todos os setores sociais e ambientais”, disse a professora. Ainda segundo Soraya, é necessário que que o governo fique sensível ao pleito tanto das comunidades que moram nessas áreas quanto da necessidade de se investir na preservação dos ecossistemas e não na fragmentação. Soraya El Deyer afirma que estrada em área de preservação causará impacto praticamente a todos os setores sociais e ambientais Reprodução/TV Globo Ela explicou que, fragmentando e cortando esse ambiente, “você também corta a vida de milhares de seres que dependem desse ambiente”, citando também que há animais e plantas que são extremamente sensíveis a movimentação, presença, cheiro e barulho. “Colocando uma via de alta densidade de locomoção, com veículos pesados, que são emissores de gases poluentes, além de uma propagação de som que não é habitual naquela região, vai alterar desde o comportamento de animais até a densidade populacional, gerando a morte dos mais sensíveis e podendo existir a extinção de alguns. Isso se configura numa tragédia ambiental”, afirmou. Para o arquiteto Cesar Barros Atikum, não faz sentido passar uma via dessa magnitude por uma área de proteção ambiental Reprodução/TV Globo Cesar Barros Atikum disse que a discussão sobre o projeto passar pela área de Mata Atlântica sequer deveria existir. Para ele, não faz sentido passar uma via dessa magnitude por uma área de proteção ambiental. “A gente tem que estar discutindo agora é como ela vai passar circulando a APA e qual a maneira mais apropriada, considerando os fatores econômicos, como a união dos polos industriais, a conexão, criação de novos empreendimentos e não estar pensando em uma via passando por uma APA, que só vai gerar transtornos e colapso ambiental”, contou o arquiteto. Especialistas alertam que mapa usado como referência no edital faz parte de um estudo feito na década de 1980 Reprodução/TV Globo A alternativa, de acordo com especialistas em arquitetura e gestão ambiental, seria levar a rodovia para a borda da área de preservação ambiental e não cortar a floresta. “Nós temos que contemplar, além da questão econômica, a questão da mobilidade, mas não podemos esquecer todas as repercussões ambientais e sociais. Então, aproveitar o traçado da PE-041 entre outros que existem de Igarassu até chegar a São Loureço é mais do que salutar. Vai ser um percurso um pouco maior, mas se justifica pela importância ambiental que tem o território”, disse Cesar. Espécies endêmicas Algumas espécies são encontradas apenas nesta região da Mata Atlântica, segundo especialistas Reprodução/TV Globo A distância entre a Estrada da Pitanga e um dos riachos do Rio Utinga, ambos em Igarassu, é de um quilômetro. De acordo com a bióloga Gabriela Leite, a área tem uma porção da Mata Atlântica chamada de centro de endemias em Pernambuco devido ao número de espécies endêmicas, que são aquelas encontradas exclusivamente em uma região geográfica. “Essa faixa de Mata Atlântica que vai de Alagoas até o Rio Grande do Norte tem esse nome justamente porque é uma porção que tem um número muito expressivo de espécies que só aparecem nessa região e em nenhum outro lugar no mundo”, declarou. Bióloga Gabriela Leite diz que a construção do arco viário preocupa Reprodução/TV Globo Segundo a bióloga, a construção do arco viário preocupa porque a APA Aldeia/Beberibe, além de estar em um local da Mata Atlântica muito rico em biodiversidade e com espécies que só ocorrem aqui, abriga o maior remanescente de Mata Atlântica que sobrou ao norte do Rio São Francisco. “E o arco viário pelo traçado proposto no edital passaria cortando esse remanescente, então nós iríamos perder esse grande remanescente de Mata Atlântica, que é basicamente o pouco que nos sobrou aqui no Nordeste”, falou. No trecho de mata fechada, perto do quilômetro 17 da Estrada de Aldeia, fica a Mata da Pitanga, que é exatamente onde uma das empresas que concorrem no edital de licitação do governo sugere a construção da rodovia do Arco Metropolitano. A estrada que passa nesse local tem o mesmo nome da mata: Estrada da Pitanga, onde é possível encontrar animais silvestres ou ameaçados de extinção. Morador de Aldeia e apaixonado pela natureza, Mozart Souto está preocupado com a obra Reprodução/TV Globo Morador de Aldeia e apaixonado pela natureza, Mozart Souto contou que são encontrados animais raros, como o pintor-verdadeiro, o pintassilgo-do-nordeste e o gavião-de-pescoço-branco, que é considerado um dos mais raros do mundo. “Essa mata foi alvo de um estudo científico de pesquisadores da UFPE [Universidade Federal de Pernambuco] e UFRPE e foram detectadas 220 espécies de aves. Dessas, 16 estão ameaçadas e 12 são endêmicas aqui dessa região. Então é uma pena danificar o habitat desses animais”, afirmou. Mozart Souto também disse que existe a opção de o arco passar por Araçoiaba e, dessa forma, desenvolver a região. “Araçoiaba, Carpina, [BR-]408, BR-101. Eu conheço muito bem essa região e sei a necessidade do arco, sendo que a gente não concorda e nem aceita que esse arco fragmente mais uma vez esse bioma tão sofrido, tendo a opção de passar por Araçoiaba”, declarou. O que diz o governo Presidente da Ad-Diper, Roberto Abreu e Lima, afirmou que região se torna cada vez mais atrativa para novas empresas Reprodução/TV Globo Segundo o governo, o traçado do arco não está definido e vai ser discutido com a sociedade. A Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD-Diper) disse que, quando o arco estiver pronto, a questão ambiental será respeitada com o desenvolvimento do polo industrial de Goiana. De acordo com o presidente da Ad-Diper, Roberto Abreu e Lima, a região se torna cada vez mais atrativa para novas empresas, especialmente com a chegada do arco. “O volume de indústria é considerável, porque nós temos alguns polos, a exemplo do automotivo, com mais de 20 empresas. Temos o polo de bebidas, o polo vidreiro, o fármaco-químico, usinas de açúcar e empresas fabricantes de embalagens de papel”, declarou. Governo diz que a construção do arco vai diminuir o tráfego de caminhões na BR-101 Reprodução/TV Globo O governo também afirmou que a construção do arco vai diminuir o tráfego de caminhões na BR-101, nas proximidades de Igarassu e Abreu e Lima e facilitar o transporte dos produtos das indústrias de Goiana ao Porto de Suape. “É uma obra que vai não só liberar o tráfego pesado dentro da Região Metropolitana principalmente Recife, mas vai propiciar avançar a fronteira do desenvolvimento para o interior, vai facilitar que as empresas do interior tenham acesso a Suape, e, hoje em dia, a logística é um fator muito impactante nos custos das empresas”, disse. Vídeos de PE mais vistos nos últimos 7 dias

source https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2021/04/30/especialistas-alertam-sobre-impactos-de-construcao-de-estrada-em-area-de-preservacao-ambiental-e-sugerem-aproveitar-rodovias-ja-existentes.ghtml

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