
Brasil foi medalha de ouro na categoria em todas as edições da Paralimpíada. Agafuc tem quatro atletas no time brasileiro — Luan, Nonato, Tiago Paraná e Ricardinho — e mais dois na Argentina — Padilla e García. Brasil busca 5ª medalha de ouro no futebol de cinco na Paralimpíada Se tem um esporte em que o Brasil é hegemônico é o futebol de cinco. Nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, a Seleção Brasileira não entra apenas para disputar a medalha de ouro, mas para confirmar o título conquistado em todas as edições de Paralimpíadas desde 2004. A base da equipe é a Associação Gaúcha de Futebol para Cegos (Agafuc), de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Além de Ángel García e Coki Padilla, convocados pela Seleção Argentina, o clube cedeu quatro jogadores para o Brasil: o goleiro Luan, além de Nonato, Tiago Paraná e Ricardinho, que já foi eleito três vezes o melhor do mundo na categoria. "Os outros atletas que jogam na Seleção, boa parte deles, eu jogo há uns bons anos. Mas esse fator de fazer parte do mesmo clube e, posteriormente, da Seleção Brasileira é um ponto positivo. Acho que a gente tem que usar tudo a nosso favor, tudo o que for bom, e conseguir extrair o máximo dos recursos", afirma o camisa 10. O grupo embarcou em 7 de agosto para o Japão e, desde então, se prepara para se adaptar ao fuso horário e ao calor desta época do ano. "A gente conseguiu atingir níveis físicos bons e a parte técnica está legal, apesar de não termos tido jogos oficiais nos último dois anos. Mas a gente não sabe como as outras equipes vão estar. Os outros países também sofreram com a pandemia. Vai ser uma competição atípica, uma incógnita. Mas estou bastante confiante de que a gente consiga desenvolver um bom futebol, e isso, somado à experiência da nossa equipe, a gente sonha muito com essa medalha de ouro", diz Ricardinho. O Brasil está no grupo A. As três primeiras partidas começam às 11h: contra a China, no domingo (29), o Japão, na segunda-feira (30), e a França, na terça (31). "Acho que a experiência e todos os aspectos que recuperamos em termos de treinamento podem nos auxiliar. Mesmo com os prejuízos, estamos em condição de brigar de igual para igual", garante. Treino da seleção de futebol de cinco em Hamamatsu Matsui Mikihito/CPB Regras do esporte O futebol de cinco é adaptado aos atletas, já que todos, exceto o goleiro, não enxergam. Eles se guiam por guizos internos na bola para que os jogadores consigam localizá-la. Os jogadores usam uma venda nos olhos e não podem tocá-la, sob pena de cometerem uma falta. Com cinco infrações, o atleta é expulso de campo e pode ser substituído por outro jogador. Há, ainda, um guia que fica atrás do gol adversário para orientar os atletas do seu time. Técnico e goleiro também auxiliam em quadra. A quadra também é adaptada. Bandas são colocadas nas linhas laterais que impedem que a bola saia do campo. Seleção Brasileira conquistou o ouro em todas as edições de Jogos Paralímpicos André Durão Referência nacional A Agafuc é referência no país para o trabalho realizado com os atletas cegos. A associação é uma das poucas com uma quadra adaptada para o desenvolvimento da modalidade, feita através de uma parceria com a prefeitura. Além disso, os patrocínios privados e apoios públicos ajudam a mantem o trabalho de maneira contínua, inclusive com profissionais especialistas neste tipo de esporte. "Nossos projetos de lei de incentivo são o que mantêm uma comissão técnica especializada, material para o desenvolvimento do futebol, entre outras coisas fundamentais", afirma o técnico Rafael Astrada. A gestão vencedora, segundo ele, começou em 2014, com um vice-campeonato nacional. A chegada de quatro atletas de outros estados ajudou a elevar o nível da equipe. No ano seguinte, veio o primeiro título, e, em 2016, o primeiro projeto aprovado. A partir daí não parou mais de levantar taças. "Os resultados já apareceram em 2017. De lá pra cá não perdemos mais nenhuma partida e conquistamos todos os títulos que disputamos: mais três vezes campeões brasileiros, três regionais sul e sudeste, e somos os únicos campeões da SuperCopa, a qual conquistamos as três edições", elenca Astrada. Por isso, mais do que ganhar troféus, o maior desafio é renovar o esporte. "A formação de novos atletas em nosso estado está um pouco difícil, mas continuamos a procura para, quem sabe, encontramos um novo Ricardinho", brinca o treinador. Agafuc, de Canoas, tem quatro representantes na seleção brasileira de futebol de cinco Agafuc/Divulgação Vídeos: Tudo sobre RS
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