Em Barcelona, espanholas e afegãs se uniram e até queimaram uma burca, para muitos, símbolo da opressão do Talibã contra as mulheres. População vai às ruas, na Europa, cobrar ações práticas de governos para ajudar afegãos Enquanto governantes discutem como ajudar o povo afegão, na Europa, a população foi às ruas cobrar ações práticas. Tem sido assim: fronteiras cheias, gente forçada a recomeçar a vida. Um grupo de amigos se antecipou. Quando o Talibã começou a ganhar território, eles fugiram do Afeganistão pelo Irã e já estão quase na Turquia. Contam que foram assaltados e pedem que países europeus recebam quem quer sair e ajudem quem ficou. Nesta quarta-feira (18), na primeira sessão com casa cheia desde o início da pandemia, o Parlamento britânico debateu o assunto. O primeiro-ministro Boris Johnson disse que o Reino Unido vai fazer o que puder para evitar uma crise humanitária. O governo já falou quantos refugiados afegãos pretende acolher: 20 mil ao longo de cinco anos. “Eu acredito que os países europeus vão receber refugiados, sim, mas quando a gente fala sobre uma crise dessa proporção, nunca é o suficiente. A gente fica imaginando se vão fazer a parte deles, porque o nível da instabilidade é tão grande, o desespero das pessoas no Afeganistão, dada a situação, é tão grande que o número sempre parece pequeno, ainda que necessário. Não dá para deixar de receber”, explica o professor de Relações Internacionais Tanguy Baghdadi. O professor lembra que a decisão de acolher refugiados não é só bondade dos governos. Passa também por ganhar reconhecimento internacional, garantir a própria segurança, e por uma disputa de influência com adversários. “Uma coisa que a gente nunca pode deixar de considerar é que os refugiados trazem benefícios econômicos, também. Trazem um enriquecimento cultural, além de ser uma questão política. De poder bater no peito e dizer: ‘Olha, eu recebi refugiados. E você? O que você fez no meio de uma crise tão grande como essa no Afeganistão?’. A maneira com a qual você lida com isso diplomaticamente pode te fortalecer ou te enfraquecer”, diz Baghdadi. Ele lembra de momentos em que a ajuda humanitária fez toda diferença na história do mundo. Como quando os Estados Unidos financiaram o Plano Marshall, que levantou a Europa depois da Segunda Guerra. E, mais recentemente, quando a Alemanha recebeu quase um milhão de refugiados sírios. Nos últimos dias, em várias cidades da Europa, grupos pediram que os governantes se mexessem para ajudar o povo do Afeganistão. Em Barcelona, as mulheres se uniram, espanholas e afegãs. Até queimaram uma burca, para muitos, símbolo da opressão do Talibã contra as mulheres. Agências da ONU, como a Organização Mundial da Saúde, prometeram continuar no Afeganistão dando assistência que for possível. A OMS pediu a participação da comunidade internacional. É a esperança do povo afegão: receber ajuda de verdade, mas logo.
source https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/08/18/populacao-vai-as-ruas-na-europa-cobrar-acoes-praticas-dos-governantes-para-ajudar-afegaos.ghtml
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